Imprensa

23/08/2017

Alerta aos profissionais do setor: melhor do que tratar a água, é não contaminá-la

Durante séculos tratada como fonte inesgotável, com o avanço da civilização, do conhecimento e da tecnologia, a água deixou de ser considerada um “recurso infinito” da natureza . Hoje, todos têm consciência da importância em tratar e poupar água.

A água está distribuída no planeta em diferentes formas. Em um determinado local, por exemplo, pelo aumento da temperatura, ela se transforma em vapor, desloca-se para outras regiões e volta para o estado líquido em forma de chuva. É um ciclo fechado, em que não há perda nem ganho. A massa de água no planeta é sempre igual, mesmo que em algumas regiões ela seja mais abundante que em outras. 

A comunidade científica alerta, há décadas, que a água está se contaminando rapidamente. À medida que o ser humano se expande pelo planeta, a água disponível em sua forma mais pura diminui.

No caso do Brasil, é sabido que a poluição, a derrubada de matas e a devastação de solos afeta a hidrologia de toda uma região. O engenheiro químico, especialista em estações de tratamento de água e efluentes, Carlos Guilherme Renne cita, como um exemplo radical, a cidade de São Paulo: “Ela possui uma grande população que vê seus recursos hídricos se esvaindo ao longo do tempo. Os mananciais disponíveis - rios, lago e represas - já não atendem a todos os habitantes. O esforço para tornar a água possível de ser consumida é enorme, com grandes gastos financeiros. Para tentar contornar o problema é necessária a conscientização de todos e a implementação de políticas corretas de governo. Isso vale para o Brasil, como também para os outros países”, finaliza Renne. 

O Brasil é um país continental, com a maior parte das reservas hídricas em locais de baixa população. Muitas vezes o volume de água presente em uma determinada região é afetado pelo desmatamento, quando o ciclo de renovação natural é alterado. “O desmatamento e a má destinação de resíduos são altamente prejudiciais aos mananciais de água, mas o maior vilão é o esgotamento sanitário, cujas consequências exigem enorme esforço para devolver ao líquido sua pureza. Grande parte da população do país não possui nem água encanada, imagine estrutura para esgoto? A conclusão é que temos muito a caminhar para resolver os problemas de preservação e abastecimento de água”, alerta Renne.

Antes trazido do exterior, o saber sobre tratamento de água já é construído aqui

Quanto se fala em tratamento de água e efluentes, deve-se observar que o país possui muitas escolas e universidades que se dedicam à formação de técnicos em saneamento, químicos, engenheiros químicos e sanitaristas. Principalmente nestes últimos anos, essa demanda por formação cresceu muito.

“Em termos de conhecimento formal, explica Renne, há até 30 anos o que possuíamos era trazido da Europa. Mas hoje, com a maior disseminação das informações e o melhor preparo dos pesquisadores brasileiros, sabemos que o conhecimento aplicado lá pode não funcionar aqui no Brasil. A realidade de lá é diferente da daqui, principalmente pela questão do clima. Aqui, os sistemas de controle de bactérias utilizados na Europa, por exemplo, podem ser inadequados”. O engenheiro também faz um alerta para os profissionais do setor formados há mais de 30 anos. É necessária uma atualização para que não atuem usando conceitos e procedimentos completamente defasados. 

A tecnologia de tratamento de água e efluentes industriais tem evoluído no Brasil. O conhecimento não vem apenas de fora, também é construído dentro do país. Hoje, projetos e procedimentos estão ajustados às condições climáticas e geológicas das diferentes regiões do Brasil. “Nós, como orientadores, nos preocupamos em sempre estarmos nos atualizando com o que surge de mais avançado. Hoje temos projetos mais econômicos, melhorias nos equipamentos, como bombas mais eficientes e aeradores mais econômicos, e já temos alternativas para obtenção de energia elétrica de formas mais econômicas e sustentáveis”, destaca Renne.

Para terem empresas mais competitivas, gestores devem buscar técnicos qualificados

Houve evolução também na legislação que regula os processos de tratamento de água e efluentes. O fato é que para checar o cumprimento dessa legislação também é importante contar com profissionais bem preparados. Muitas vezes, empresas industriais investem pesado em projetos como estações de tratamento de efluentes que se mostram pouco eficazes , desatualizados ou em desacordo com as normas. Por falta de uma orientação mais especializada, acabam por adquirir projetos prontos, sem a necessária adequação às reais necessidades da empresa.

“Por serem assessoradas por técnicos mal preparados, há casos em que as empresas não sabem nem por que estão fora dos padrões ou por que não cumprem a lei. Se a empresa foi mal orientada, ela está perdendo competitividade, pois estará tendo um custo a mais para cumprir a legislação e fazer modificações para se adaptar aos avanços da tecnologia. Os profissionais que prestam serviços para essas empresas devem estar muito bem atualizados para propor soluções realmente eficazes e normatizadas. Portanto os gestores empresariais devem se conscientizar que precisam buscar esses profissionais”, recomenda Renne.

Como recomendação aos profissionais do setor de tratamento de água e efluentes, o engenheiro Renne alerta para que os profissionais reflitam e pesquisem a fundo sobre alguns conceitos importantes. “Hoje, é fundamental economizar a água, reduzir seu uso, reciclar o que for possível e reutilizar. Em relação ao tratamento da água, a reutilização é fundamental. Mas como fazer isso? Podemos reduzir os tempos nos processos industriais. Também podemos reduzir a quantidade de água necessária para um processo. Reduzindo tudo, teremos uma água menos contaminada. Teremos ganhos em volume e em tempo de processo. Dessa forma, minimizamos consideravelmente a quantidade de produtos químicos e biológicos utilizados para fazer a água voltar a um estágio mínimo de pureza. Assim, no final, ela poderá ser reintroduzida no processo  ou  lançada de volta ao ambiente. Estamos vivendo e trabalhando em rede. Temos de cuidar para que a água que lançamos fora não prejudique outras pessoas.”

O engenheiro Carlos Guilherme Renne, com mais de 32 anos na área de tratamento de águas industrial e potável, será o facilitador do curso “Treinamento de operadores de ETA, caldeiras e torres de resfriamento” a ser realizado pela Fundação Proamb Educação, de 12 a 13 de setembro de 2017, das 8 às 12h00 e das 13h30 às 17h30, no Dall’Onder Grande Hotel, Bento Gonçalves (RS). Em prosseguimento ao tema em foco, na programação também está previsto o curso ministrado pelo químico Mário Peirano: “Tratamento de efluentes: aspectos práticos e operacionais na remoção de nitrogênio e fósforo”, de 26 a 29 de setembro, das 8 às 12h00 e das 13h30 às 17h30, no Dall’Onder Grande Hotel. Para maiores informações, consulte a agenda de cursos no site da Fundação Proamb.

 

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