Imprensa

14/05/2014

Muito além da Gestão dos Resíduos

Questões ambientais influenciam diretamente na produtividade, no crescimento e na visão de marca das organizações e inclui, também, a visão social.

Sustentabilidade é um termo que está muito em voga atualmente, todavia nem sempre é entendido em toda a sua dimensão. “Hoje as empresas acreditam que estar preocupado com o meio ambiente e ser sustentável é somente gerir os resí duos”, afirma a coordenadora da Central de Resíduos Sólidos Industriais daFundação Proamb, Taísa Trevisan.

Isso, no entanto, não basta, segundo ela. “Inclui ainda ações no âmbito social e, além da gestão adequada, também a redução dos resíduos gerados.” Para avaliar se a gestão está sendo feita de forma adequada, a coordenadora indica as seguintes indagações: “Como reduzir a geração desse resíduo? Qual o impacto que causa ao meio ambiente?”

O engenheiro mecânico e consultor da indústria moveleira Cláudio Perin diz que ignorar a sustentabilidade pode gerar custos extras e afetar a imagem institucional. “Com o forte apelo da mídia e a necessidade de proteção ao meio ambiente sustentável, o descarte inadequado pode gerar uma péssima reputação ao empresário que não cuidar deste assunto”, ressalta.

O setor moveleiro é um consumidor de recursos naturais com potenciais renováveis. O grande foco de efl uentes líquidos da indústria moveleira, segundo Perin, está relacionado aos acabamentos de pintura (tais como solventes, primers, lacas, acetona e até mesmo querosene). Perin observa que a ideia que vem sendo adotada é contrária ao descarte. “Existem hoje centrifugadoras, destiladoras e fi ltros que podem e devem ser utilizados para o tratamento e reciclagem de alguns destes itens”, pontua.

O consultor exemplifi ca: “Um caso de crescente utilização é o destilador de solvente. Por meio desse equipamento o volume de efl uente acaba reduzido a menos de 5% do total gerado, ou seja, o resíduo deixa de ser o líquido e passa a ser uma borra. O resultado é um solvente que, embora de qualidade inferior – por isso apelidado de‘batizado’ por alguns operadores –, consegue ser utilizado perfeitamente na primeira lavada das máquinas de pintura. A vantagem do reuso é a questão ambiental atrelada aos custos do descarte; sendo assim, ganham o meio ambiente e também o empresário.” 

O diretor executivo da Carolina Móveis, Áureo Barbosa – indústria de Diamante de Ubá (MG) –, chama a atenção para o fato de que, em princípio, uma moveleira gera apenas resíduos sólidos. Isso porque, hoje em dia, a maioria das indústrias de móveis que produzem resíduos líquidos provenientes das cabines de pintura trabalham em circuito fechado, ou seja, quando existe um reservatório e uma bomba que faz circular a água para absorver as poeiras dos vernizes. Depois, essa borra passa por um filtro e a água continua circulando permanentemente.

“As partículas que são retiradas pelo filtro passam por um processo de desidratação ao ar livre, em um tanque de concreto, exposto à radiação solar. Assim, evapora-se o pouco do líquido e sobra uma borra sólida desse resíduo. Essa borra é endereçada a empresas que refabricam tintas, por exemplo”, explica Barbosa. Para ele, existem duas vantagens nítidas na reutilização dos resíduos: evita-se que seja descartada na natureza e agrega valor ao material que se tornaria sucata.

Na indústria, segundo o coordenador de assessoria ambiental da Fundação Proamb, Rangel Grasselli, existem processos chamados de ‘menos nobres’ devido à exigência da qualidade da água de entrada não ser tão rigorosa. “Estes podem reutilizar efluentes tratados, como torres de resfriamento, cabines de pintura e lavadores de gases – isso tratando-se de processos convencionais de tratamento. Hoje, já possuímos projetos para estações avançadas com equipamentos de ponta que possibilitam efluentes de altíssimos padrões, em alguns casos melhores que a própria água de entrada”, pontua.

Este tema é estratégico na Florense (fabricante de móveis de Flores da Cunha, RS), garante a gestora de qualidade da marca, Adriana Zamboni. Segundo ela, a questão foi fortemente amparada pelas diretrizes da ISO14001 – norma internacionalmente aceita que define os requisitos para estabelecer e operar um Sistema de Gestão Ambiental –, da qual a empresa obteve a certificação em 2001. “Este processo todo ocorre naturalmente por meio dos procedimentos internos e programas ambientais que têm como objetivo atuar especificamente na redução de um determinado consumo ou resíduo”, pontua.

A gestora explica que os descartes são segregados ao longo do processo, de acordo com a sua especificação. “A diversidade de resíduos tem aumentado significativamente à medida que a indústria se propõe a flexibilizar sua produção para melhor atender às especificações dos clientes. Por isso, desde o desenvolvimento de um produto, é importante considerarmos as variáveis de aproveitamento dos materiais. Além disso, sua variação depende basicamente do método de produção.”

Já a supervisora do departamento de qualidade e meio ambiente da Sayerlack (de Cajamar, SP), Ana Paula Massotti Correa e Rotta, lembra que os efluentes são gerados na fabricação de resinas, lavagem dos equipamentos utilizados na fabricação de produtos base água e limpeza em geral – denominado efluente industrial. “O efluente industrial é inicialmente tratado através de um processo físico-químico. Posteriormente, em conjunto com o efluente doméstico [pias de banheiro, sanitários, cozinha, etc, da própria fábrica], é tratado em uma estação biológica (sistema de lodos ativados)”, explica.

Depois desse tratamento, descreve Ana Paula, “a água passa por uma lagoa aerada, onde há duas espécies de peixes (tilápia e black bass), antes de ser lançada ao rio – tudo sob rígidos controles. E o lodo, periodicamente, é transferido para leitos de secagem e, depois, encaminhado para aterro sanitário, visto que após análise, segundo NBR10004 [norma que classifica os resíduos sólidos quanto aos seus potenciais ao meio ambiente e à saúde pública], não se trata de resíduo perigoso”.

A principal vantagem, segundo a coordenadora da Central de Resíduos Sólidos Industriais da Fundação Proamb, Taísa Trevisan, é a ambiental. “Hoje nós consumimos 30% a mais de recursos naturais do que a Terra tem capacidade de renovar. É como se eu recebesse todo mês e gastasse 30% a mais do meu salário. A gente vai ter que pagar essa conta. O último destino que se dá para um resíduo é o destino final. Antes disso temos que esgotar todas as possibilidades de reutilização. Por fim, se não conseguir nenhum tratamento para ele, destinar a um aterro ou qualquer outro local adequado.”

Fonte: Revista Móbile 

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