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Convidado pela Fundação Proamb para palestrar a respeito de resíduos sólidos, Mário Rogério Kolberg Soares, especialista da Fepam, apresentou de forma bastante didática o tema para o público que lotou o salão do CIC de Bento Gonçalves, na noite de quarta-feira (18 de novembro). A necessidade da gestão de resíduos, os itens ideais que devem ser levados em consideração na relação com esses materiais e as responsabilidades existentes neste universo foram alguns dos principais pontos abordados.
Soares lembrou que resíduos gerados são matérias-primas que, por algum fator ou ‘problema’ no processo não se consegue aproveitar. Não gerar essas sobras é a melhor forma de gerir. Mas, ao se gerar, existem seis importantes etapas que o palestrante acredita devam ser obedecidas. São elas: conhecer o processo e as matérias-primas, fazer inventário da geração de resíduos, ter uma coleta e segregação dessas sobras, ter uma área de armazenamento temporário, fazer o transporte adequado para locais de reciclagem ou disposição e garantir o tratamento, reciclagem ou disposição final. O técnico da Fepam se deteve em desdobrar os detalhes de cada um desses passos.
Além de informações e sugestões direcionadas aos técnicos que estiveram presentes na palestra, Soares abordou questões próximas ao público comum. Uma delas, a relação com os resíduos pós-consumo, que ele considera uma categoria à parte. O palestrante defende a logística reversa, que prevê o retorno do produto ao fabricante no final da sua vida útil. É uma tendência e algo que tem funcionado bem, por exemplo, com os pneus.
“Hoje não há uma lei nacional de gestão de resíduos. Existe apenas um escopo”, argumentou o palestrante. Na opinião de Soares deveria haver diretrizes que tirassem materiais perigosos do lixo urbano, como, por exemplo, tintas, agrotóxicos (mata-insetos) e cosméticos, que todos têm em casa.
Questionado pela platéia a respeito de vários temas, Soares abordou um assunto polêmico da atualidade: as sacolinhas plásticas. “Fazem campanhas para acabar com a distribuição nos supermercados, mas não fazem revisão no processo. Todo o sistema de recolhimento de lixo está baseado nas sacolas plásticas, principalmente o recolhimento dos resíduos”, salienta o especialista. Se não houvesse as sacolas comuns, os cidadãos teriam que voltar a comprar os sacos de lixo, o que não muda nada.
Segundo Soares, existem outros modos de fazer a captação, em bombonas, por exemplo. “Mas daí elas precisariam ser lavadas e o efluente da lavagem iria parar nos rios, pois muitos municípios não têm sistemas de tratamento”. É todo um ciclo que precisa ser pensado. Na Europa, coletas mais racionais têm dado certo, mas há um cuidado também com todas as partes do processo.
Crédito fotos: Idovino Merlo
Autoria: Marisa Pereira – MTB 7916
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